Como se preparar para o mercado de trabalho com a geração millennial?

“Geração millennial: o que isso significa?” Essa é, provavelmente, a reação de quem escuta o termo pela primeira vez. Contudo, a expressão “geração millennial” está se tornando cada vez mais popular, e muito se deve ao fato de que esse grupo de pessoas tem comportamentos bastante marcantes.

Quando comparados a gerações anteriores, os millennials são diferentes e únicos em vários aspectos, desde a relação com as inovações até as aspirações profissionais. Aliás, falando em mercado de trabalho, esse é um dos pontos mais característicos dessa geração — e é sobre ele que falaremos a partir de agora.

Para conseguir acompanhar a geração millennial, é preciso se capacitar e se atualizar constantemente. Por isso, convidamos você a entender como se preparar para o mercado de trabalho nesse contexto. Vamos nessa?

As características da geração millennial

Não há um consenso absoluto em relação aos anos de nascimento que englobam essa geração. Entretanto, existe claramente uma média aceita por diversos autores e sociólogos como Don Tapscott. A geração millennial, também chamada de “geração Y”, corresponde ao grupo de jovens que hoje tem entre 15 e 35 anos.

Em que mundo a geração millennial cresceu?

Para compreender o comportamento dessa geração, é fundamental observar o ambiente em que ela foi criada. Essas são pessoas que cresceram em uma época de avanços tecnológicos gigantescos. Basta notar a evolução, por exemplo, das mídias de áudio e vídeo. Enquanto os integrantes mais velhos da geração chegaram a ter contato com fitas cassetes, os mais novos já nasceram na época do streaming.

Ao contrário da geração X, que encontrou a transição para o novo mundo tecnológico, a geração Y foi a primeira que realmente nasceu já nesse meio (mesmo que muitas tecnologias estivessem engatinhando).

Em relação ao contexto econômico, essa geração se desenvolveu em meio à prosperidade e à facilidade material. Desde o seu surgimento, é bastante fácil ter acesso a qualquer tipo de produto disponível — ainda mais com o auxílio da internet. Enquanto a geração X tinha acesso a poucos brinquedos e aparelhos eletrônicos, os millennials cresceram rodeados deles.

Principais características dessa geração

As diferenças no ambiente em que a geração millennial cresceu fez que esses jovens adquirissem características bem diferentes da geração anterior.

A 1ª grande mudança é a relação com o trabalho. Ganhar muito dinheiro ou ter um cargo renomado ainda é importante, mas já não é mais sinônimo de satisfação. Os jovens atuais também têm expectativas diferentes — e mais ambiciosas — em relação às suas carreiras.

A grande rotatividade e a baixa durabilidade dos produtos atuais fez com que várias profissões caíssem, enquanto o novo modo de produção passou a valorizar novas ocupações.

A 2ª característica central é a intimidade com a tecnologia. Os millennials tornaram-se inseparáveis dos seus aparelhos eletrônicos, como os celulares smartphones.

Para essa geração, o uso da tecnologia não se restringe à comunicação (como as ligações telefônicas): ela é facilitadora para todos os tipos de atividades, desde o trabalho até a locomoção nas cidades, passando pelo entretenimento.

O 3º aspecto é a alta exigência com produtos e serviços. Por terem acesso a todos os tipos de produtos e, principalmente, a todos os tipos de informações, os millennials são extremamente exigentes como consumidores. Além disso, têm alto peso nas tomadas de decisões em suas famílias.

A 4ª característica inata é a comunicação. Convenhamos: falar com outras pessoas nunca foi tão fácil. Com isso, os millennials conseguem estabelecer e manter um número muito maior de relações próximas, mesmo que a distância. Nenhuma outra geração tinha conseguido comunicar-se entre si — e trocar todo tipo de opiniões e experiências — com tanto sucesso.

A 5ª característica a ser destacada é a necessidade de entretenimento. Os millennials acreditam que a vida tem que ser interessante e divertida. Por isso, sua expectativa é que qualquer ambiente seja capaz de entretê-los ou, ao menos, capaz de oferecer acesso à informação e ao entretenimento. Quer um exemplo? Hoje, os jovens esperam que todos os estabelecimentos tenham Wi-Fi disponível.

O comportamento profissional

“Faça o que você ama e o dinheiro será consequência.” Você sem dúvida já ouviu a afirmação. Contudo, a geração millennial parece ter sido a primeira a levá-la realmente a sério. Na verdade, os integrantes da geração Y vão além: colocam a busca pelo propósito à frente da compensação financeira.

O que é esse tal de propósito?

Para entender melhor essa forma de pensar, vamos começar compreendendo a definição de propósito (algo tão buscado por essa geração). Na sociedade atual, a palavra representa mais do que a simples intenção de fazer algo. Na visão do jovem da geração millennial, o propósito é um objetivo de vida que guia todas as realizações pessoais e profissionais.

Por exemplo: uma pessoa pode ter o propósito de construir uma empresa que revolucione o setor de transporte; pode ter o propósito de viajar pelo mundo ajudando comunidades carentes; pode ter o propósito de se tornar um líder que inspire outros colegas na sua área de atuação; e assim por diante.

De qualquer forma, podemos notar que o propósito muitas vezes está ligado à relação com o mundo, o meio ambiente ou a sociedade como um todo. Segundo pesquisa da consultora empresarial Deloitte Global, 75% dos integrantes da geração millennial acredita que as empresas estão mais focadas nos seus próprios interesses do que em ajudar a melhorar a sociedade.

E, acredite, isso incomoda bastante os millennials. Afinal, uma das características desses jovens é que eles querem se sentir parte de algo maior. Querem não apenas receber reconhecimento profissional mas também contribuir para a sociedade de alguma forma.

Como os millennials encaram o trabalho

Como mencionamos, os millennials não desejam somente fazer parte de uma sociedade melhor. Eles querem ajudar a construí-la. Para isso, buscam empresas que estejam conectadas com suas crenças e usam características dessa geração. Alguns dos principais pontos observados são:

  • os millennials querem assumir papéis de liderança nas organizações. Essa característica é ainda mais forte em mercados em desenvolvimento, como é o caso do Brasil, sendo o objetivo de 65% dos jovens;

  • muitos jovens querem empreender, mas isso não significa que desejem necessariamente ter suas próprias empresas. O que os millennials esperam é ter espaço para inovar e criar ideias, produtos e soluções. Por isso, o empreendedorismo corporativo está em alta;

  • 77% dos millennials leva em conta o propósito da empresa ao escolher onde vai trabalhar;

  • a tecnologia também faz parte do trabalho. Para os millennials, as instituições dessa área estão entre as mais atrativas, assim como as empresas de mídia e telecomunicações;

  • em relação às lideranças, essa geração valoriza os líderes que têm visão (31%), capacidade de inspirar (37%) e pensamento estratégico (39%). Isso diz muito sobre o tipo de líder que os jovens querem ser.

Também é possível notar que, ao contrário das gerações anteriores, os millennials cresceram realizando várias tarefas diferentes quase que ao mesmo tempo. Além disso, por conta das facilidades de informação, são mais generalistas (têm conhecimentos mais variados).

Por esses motivos, os jovens de hoje estão mais propensos a trocar de emprego com uma frequência maior. Primeiramente, eles têm várias aptidões diferentes que podem ser seguidas em momentos variados da vida. Em segundo lugar, eles têm mais facilidade com tarefas e precisam de desafios cada vez maiores para se sentirem estimulados.

Ao mesmo tempo, a geração Y cresceu em um ambiente bastante individualista e competitivo. Por conta disso, a necessidade de qualificação é cada vez maior. Portanto, mesmo que os integrantes dessa geração estejam dispostos a buscar novos caminhos profissionais constantemente, eles também têm consciência da necessidade de continuar estudando.

A necessidade de inovação frequente

Lembra que comentamos que os millennials cresceram em um mundo digital? Como você sabe, a tecnologia evolui muito rápido, o que faz com que a geração Y seja totalmente habituada às inovações (sejam elas tecnológicas ou não).

Atualmente, a geração millennial já está inserida no mercado de trabalho. Contudo, nos próximos 10 anos, ela representará 75% dos trabalhadores. Imagine como serão as empresas quando a maioria dos colaboradores foram fanáticos por novidades.

O fato é que essa geração é composta por pessoas que ficam entediadas facilmente. Os millennials não apenas adoram inovação, como precisam dela para se sentirem inspirados e motivados a trabalhar.

A propósito, um estudo da Randstad mostrou que diversas empresas já estão adaptando seus modelos de trabalho às exigências da geração. Muitos dos dados e tarefas hoje em dia já são apoiados em soluções de mobilidade, envolvendo cloud computing e Big Data. Afinal, para os millennials, o trabalho vai além do escritório: está no bolso, dentro do smartphone. Millennials trabalham remotamente e com flexibilidade de horários, enxergando o trabalho como um conceito, e não como um local físico.

Ao mesmo tempo, trabalho e diversão se misturam. Se passamos tanto tempo trabalhando, a atividade precisa ser prazerosa, certo? É assim que pensam os jovens da geração Y. Por isso, a inovação nunca pode terminar. Se os millennials não encontram inovação nas empresas, eles mesmos criam as novas alternativas.

A liderança como habilidade natural

Para a geração millennial, a liderança não se resume ao cargo ocupado na empresa, pois os millennials acreditam que podem liderar independentemente de títulos. Para isso, basta que tenham a capacidade de realmente inspirar outras pessoas e impulsionar o futuro e os resultados das instituições em que atuam.

Como mencionamos, uma característica muito forte dessa geração é o propósito. Ou seja, os jovens querem deixar sua marca no mundo, contribuindo para uma sociedade melhor. Dessa forma, a liderança acaba se tornando uma habilidade e um caminho natural.

A fim de construir as mudanças que desejam ver no mundo e nas organizações, os millennials são praticamente obrigados a tomar a frente de diversos projetos e assumir a responsabilidade. Fazem isso ao dar ideias, ao sugerir inovações, ao conquistar parcerias e ao encontrar formas alternativas de viabilizar novas soluções. Por exemplo: por meio do crowdfunding (financiamento coletivo) e das ferramentas digitais, os millennials tornam-se líderes e gerenciam iniciativas do início ao fim sem nem mesmo precisar de um título ou cargo de liderança.

A recente pesquisa “A generation of liders”, realizada pela empresa de seguros The Hartford, confirmou o que já se observava na prática: 80% dos millennials se veem como líderes atualmente, independentemente do cargo ou posição ocupada. Além disso, 77% deles almeja continuar liderando no futuro. Já entre os que ainda não se consideram líderes, 69% querem chegar lá nos próximos 5 anos. Os dados impressionam, não é mesmo?

A capacitação e atualização contínua

Se o momento atual já é de grande competição, algumas das características da geração millennial levam a um aumento ainda maior da competitividade. Ao decidir trabalhar em empresas com propósito, os jovens estão excluindo diversas organizações que não se encaixam nos seus objetivos.

A consequência disso é que cada vez mais pessoas competem para trabalhar nas poucas empresas que estão alinhadas com as expectativas do mundo atual e os propósitos dessa geração. Provavelmente, essas também serão as empresas que continuarão vivas daqui a alguns anos, enquanto aquelas que não se adaptarem aos millennials podem ficar para trás.

Porém, diante desse cenário, fica fácil perceber que a capacitação e a atualização constante deixaram de ser uma opção para se tornar uma obrigatoriedade. Hoje, quem não aposta em educação continuada fica defasado de maneira extremamente rápida. E não estamos falando apenas do currículo, mas sim das competências que são usadas na prática do cotidiano. Cada vez mais, os millennials buscam fontes variadas de aprendizado e criação de networking, desde cursos on-line até MBAs.

Em meio a essa capacitação, um ponto específico chama a atenção. Como você viu, 69% dos millennials querem se tornar líderes nos próximos 5 anos. Para que isso aconteça, os jovens estão cada vez mais motivados a buscar conhecimentos que auxiliem justamente nesse ponto.

Afinal, a geração Y sabe que atualmente liderança não se conquista apenas com experiência ou conhecimento técnico. É preciso ter conhecimentos de gestão, capacidade de inovar e espírito empreendedor. Isso sem falar na necessidade de fazer networking, buscar autoconhecimento e produzir em alta performance.

O consumo de informação constante

Em 2007, 94% da memória (informações) de todo o planeta já estava em formato digital. E estamos falando de vários anos atrás!

Não há dúvida de que a quantidade de informações que são criadas e processadas atualmente levam a um consumo constante de notícias, dados, mensagens e assim por diante. Aliás, essa memória chega não só em grande quantidade, como também em alta velocidade, sendo recebida, processada e compartilhada rapidamente.

Por ter crescido nesse contexto, a geração millennial realmente apresenta essa necessidade de buscar sempre dados novos e atualizados. Porém, até mesmo a geração Y tende a se sentir sufocada diante de tanta memória.

Como consequência disso, o que vai fazer a diferença cada vez mais na capacitação é o consumo das informações certas. Há momentos em que menos é mais, já que atualmente ninguém mais é capaz de acompanhar absolutamente tudo que acontece.

Dessa forma, podemos perceber que cada vez mais a geração millennial valoriza os curadores de conteúdo. Esses curadores são pessoas, empresas e instituições que selecionam somente as melhores informações sobre uma determinada área ou assunto, organizam essas informações em uma sequência lógica e as transmitem com uma linguagem rápida e adequada aos millennials. Atualmente, informação e tecnologia andam juntas nas plataformas de aprendizagem, aprendizados multimídia e assim por diante.

A necessidade de ser workaholic

Pelo fato da geração millennial misturar trabalho e diversão, várias pessoas podem ter a impressão de que os jovens de hoje não estão dispostos a trabalhar duro. Mas o que acontece na prática é exatamente o contrário.

Segundo pesquisa do Project: Time Off, os millennials se orgulham de trabalhar mais do que os outros. Inclusive, eles estão menos propensos a tirar férias.

Outra curiosidade é que a pesquisa mostrou 4 frases aos participantes. Entre todas as gerações, os millennials foram os que mais concordaram com as afirmações a seguir:

  • “ninguém na minha empresa consegue trabalhar enquanto estou fora”;

  • “quero mostrar total dedicação à minha empresa e ao meu trabalho”;

  • “eu não quero que os outros pensem que eu sou substituível”;

  • “eu me sinto culpado por tirar férias”.

Naturalmente, essa necessidade de ser workaholic está ligada à alta competição no mercado. No entanto, esse não é o único fator que pesa para que a geração atual cultive e valorize o hábito de trabalhar muito.

Um segundo fator é o que os millennials gostam de se sentir úteis e saber que seu trabalho está fazendo a diferença. Por cresceram em um mundo de abundância, sabem que muitas empresas e pessoas obtêm conquistas com uma certa facilidade. Porém, para os millennials, essa facilidade é vista como algo ruim, como se eles estivessem se aproveitando de seus colegas de geração.

Em vez disso, os millennials querem usar sua força de trabalho para contribuir com o mundo. Se o trabalho fizer sentido e trouxer satisfação, nada impede que seja feito constantemente, nem que se misture com a vida pessoal.

Um terceiro ponto tem a ver com o uso da tecnologia. Quando os millennials saem do escritório, o trabalho continua presente por meio dos dispositivos móveis. Com isso, passa a ser natural que o trabalho vá junto até quando as férias realmente são tiradas.

O alcance de cargos de gestão antes dos 30

Ao contrário das gerações anteriores, a geração millennial não aceita deixar o melhor da vida para depois. Os novos jovens querem ter trabalhos que deem prazer, desejam contribuir para a sociedade e planejam alcançar posições de liderança o quanto antes — de preferência, antes dos 30 anos de idade.

Inclusive, o vídeo All Work and All Play, produzido pela empresa de pesquisas BOX1824, ilustra bem esse comportamento. O clipe é um manifesto sobre os códigos contemporâneos do trabalho e mostra justamente o comportamento dessa geração, bem como o novo significado que os millennials atribuem ao conceito de sucesso.

Segundo a pesquisa BOX1824, a geração dos baby boomers (nascidos entre 1946 e 1964) via nas empresas um caminho seguro. O objetivo dessas pessoas era conseguir um emprego estável e adquirir experiência naturalmente com o passar dos anos. Essa experiência seria a garantia de um bom salário e um cargo de liderança depois de algumas décadas.

A geração X, que veio logo depois, já era um pouco mais impaciente e buscava atalhos para alcançar essas mesmas posições. Faziam isso por meio conexões pessoais, conquistas de clientes e novas ideias, entre outros.

Já a geração millennial tem ainda mais sede de liderança. Atualmente a idade já não faz mais diferença: os millennials querem ser tratados de igual para igual em relação aos colegas mais experientes. Com isso, sentem-se prontos a liderar projetos, departamentos e até empresas inteiras antes mesmo dos 30 anos de idade.

Para isso, buscam educação continuada, planejamento de carreira, inovações e soluções de problemas, além de gerar resultados concretos para as empresas em que trabalham. Afinal, independente da geração, não há argumentos contra os fatos.

Conclusão

Após observar, discutir e refletir sobre os hábitos e comportamentos da geração millennial, é difícil não criar uma opinião. Enquanto algumas pessoas podem venerar a geração atual, outras não gostam nem um pouco do que veem. Mas uma coisa é certa: é impossível ignorar as características da chamada geração Y.

Para quem tem preguiça de trabalhar, encontrar suas paixões ou correr atrás de seus objetivos, a geração millennial chega a soar ameaçadora. Afinal, poucas vezes na história uma leva de pessoas foi tão obstinada em relação às suas conquistas (sem falar que o mundo de hoje está cada vez mais competitivo).

O resultado é que quem deseja se preparar para o mercado de trabalho atual não pode ficar parado nem pode esperar que um plano de carreira claro e estruturado apareça na sua frente. A época é de competição e, consequentemente, de buscar conhecimento. A boa notícia é que quem estiver disposto a se qualificar sempre encontrará um espaço no mercado — e um futuro próspero a sua espera.

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