Descubra o segredo para alcançar a estabilidade financeira

Infelizmente, no Brasil, o analfabetismo financeiro é um problema de Estado. Isso porque, enquanto em países como Japão a Educação Financeira é disciplina obrigatória nas escolas desde o início da infância, por aqui, passamos uma vida inteira sem receber orientações básicas sobre como gerenciar nosso orçamento doméstico.

O resultado dessa ignorância em matéria de poupança e investimento – que dá lugar ao irresponsável lema “compre primeiro e pague depois” – pode ser visto nos índices econômicos: em fevereiro de 2016, 60% das famílias brasileiras estavam endividadas.

Mas como sair desse círculo vicioso e alcançar a estabilidade financeira? Vamos falar mais sobre o assunto neste post. Acompanhe:

O Brasil e os especuladores

Primeiramente, é preciso que você entenda que o Brasil é o país mais perigoso do mundo para se viver sem uma base educacional financeira sólida: só os juros do cartão de crédito se aproximaram, em setembro de 2016, de impressionantes 500% a.a. O maior percentual da história do país? Não: do mundo. É difícil encontrar um registro na história econômica mundial que sequer lembre esse fenômeno.

A taxa de juro real do país é outro índice que também nos presenteia com o lugar mais alto do pódio, de forma isolada. Enquanto no Brasil o juro real atinge 8% a.a., o vice-campeão desse ranking, a Rússia, tem taxa média de juros reais de modestos 2,98%.

Poderíamos ainda citar os juros do cheque especial, a cultura do crediário, entre outras inúmeras armadilhas que afundam facilmente um brasileiro com pouco ou nenhum conhecimento financeiro para defender seus rendimentos.

Entretanto, com algumas mudanças sistêmicas em diversas áreas da vida, é possível sair do vermelho direto para a estabilidade financeira (e, posteriormente, até à independência financeira)! Vamos a algumas dessas mudanças, que vão muito além de economizar dinheiro, passando por uma transformação global de conceitos e maior preparação profissional:

Dicas para alcançar a estabilidade financeira

Faça sua própria PEC 241

Você deve estar acompanhando o esforço do governo para aprovar uma PEC que visa controlar o crescimento das despesas (no intuito de disponibilizar recursos para pagamento dos juros da dívida). As contas nacionais estão em situação semelhante à de muitos brasileiros, que gastam mais do que arrecadam e acumulam saldos negativos mensais.

Se você tem débitos, ajuste seu orçamento enxugando despesas não essenciais. O objetivo é o de angariar mais dinheiro para amortizar parcelas de financiamento e, enfim, eliminar o endividamento. O primeiro passo é não ter dívidas pendentes.

Abandone a cultura dos financiamentos

O grande problema do endividado, obviamente, é gastar mais do que ganha. A questão é que isso somente é possível porque o país é repleto de produtos financeiros tentadores, que escondem juros compostos exorbitantes. Cartões de crédito, financiamentos, cheque especial, crediários. O problema aqui não é a existência desses recursos, mas a mentalidade nacional em ceder ao caminho fácil (e ilusório) de comprar primeiro e pagar depois.

Acostume-se, ao invés disso, a poupar e adquirir seus bens à vista. “Mas eu não tenho dinheiro para comprar nada à vista!” Em vez de perder anos preso a parcelas “turbinadas” com juros exponenciais, imagine quanto você teria se tivesse poupado o montante equivalente em uma aplicação financeira? Vamos deixar isso mais claro:

Suponhamos que Paulo tenha decidido contratar um crédito pessoal para comprar o carro dos seus sonhos. Se ele precisar de R$ 40.000,00 para pagar ao banco em 48 meses, o valor da parcela será aproximadamente R$ 4.141,00 e o custo efetivo total (CET) da operação ultrapassará os 238% ao ano. Moral da história: o custo desse veículo superará os R$ 120.000,00. Duvida? Faça essa simulação aqui.

Se, por outro lado, nosso amigo for mais astuto, pode juntar esses mesmos R$ 4.141,00. Em 12 meses, ele terá alcançado quase R$ 50.000,00, que se aplicados em um CDB que pague 100% do CDI, poderá lhe render 1,16% ao mês. Ao final de 1 ano, nosso amigo já teria o valor para comprar seu automóvel e, mais do que isso, seria agraciado com um rendimento mensal de cerca de R$ 580,00. Estabilidade financeira é saber esperar e fazer as escolhas certas.

Esqueça a caderneta de poupança

No ano passado, a caderneta de poupança amargou rentabilidade real negativa. Isso mesmo: enquanto a inflação fechou 2015 em 10,67%, a nossa humilde caderneta só rendeu 8,15%. Ou seja, quem aplicou suas economias na poupança “perdeu” 2,28% de seu capital.

Nos Estados Unidos, 85% do patrimônio financeiro das famílias estão fora dos bancos (sendo que 65% dos norte-americanos investem na bolsa). No Brasil, a cultura do investimento ainda é ínfima se considerarmos nosso contingente populacional. Em 2013, a título de exemplo, apenas 0,29% da população aplicava na Bolsa de Valores.

Você não precisa se aventurar na renda variável. Esse exemplo é só para mostrar que investir ainda não é o forte do brasileiro. Mesmo com juros altíssimos (o que faz com que títulos como Tesouro Direto, CDB, LCI/LCA cheguem a apresentar rentabilidade anual de até 14% a.a. — o dobro da poupança), muitas pessoas ainda insistem em deixar seus recursos corroídos pela inflação no marasmo da caderneta.

Quer estabilidade financeira? Então mude seu mundo por meio da mudança de seus pensamentos.

Use softwares de gestão financeira

O conjunto de compras a prazo, fechadas em meses diferentes, torna o controle das despesas mensais difícil de ser feito. Gerencie todos os débitos e parcelamentos por meio de sistemas da informação — existem softwares gratuitos na web para isso.

Invista em sua carreira

Estabilidade financeira e crescimento profissional são questões intimamente ligadas. Uma pesquisa feita pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), há alguns anos, mostrou que cada ano de estudo representa em média 15% a mais no contracheque.

Assim, vencidos os passos anteriores, é hora de usar o capital que começa a sobrar no orçamento para direcioná-lo a aplicações que, no médio prazo, vão financiar cursos de aperfeiçoamento profissional (computação, liderança, gestão, idiomas etc.). Capacitação precede sucesso financeiro.

Faça uma pós-graduação

Entenda que sua vida acadêmica não termina na colação de grau e que isso tem tudo a ver com sua estabilidade financeira. Muitos profissionais se estagnam no mercado por subestimarem o poder do aprimoramento constante. Estratégias de liderança, técnicas de ampliação da produtividade da equipe, gestão de prazos: o mundo muda. É preciso reciclar suas competências para acompanhar essas mudanças.

Uma pesquisa feita pela Catho, em 2013, mostrou que profissionais com MBA têm média salarial 31% superior aos apenas graduados. Essa mudança de postura impacta diretamente sua solidez financeira, uma vez que, se os gastos estão em constante elevação, é preciso buscar permanentemente novos conhecimentos e estratégias para se manter competitivo (mesmo dentro de sua empresa!). Perceba que de nada adianta apenas saber gerenciar dinheiro. Sem capacitação, sua fonte de recursos tende a ser cada vez mais escassa.

Já percebeu que estabilidade financeira vai muito além de economizar parte do salário, certo? Então curta e compartilhe nosso conteúdo nas redes sociais para se manter sempre atualizado com as melhores dicas planejamento de carreira, educação financeira, estratégias de gestão e pós-graduação.

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