Gestão de negócios: dicas para um planejamento estratégico mais consistente

A implementação de um planejamento estratégico consistente é uma forma de melhorar a eficiência de uma companhia. É por meio dele que uma empresa define com clareza a sua missão, a sua visão, os seus valores e o seu posicionamento no mercado.

Além disso, um modelo de gestão instaurado a partir do planejamento permite reforçar a cultura corporativa da companhia não só internamente mas também junto aos públicos de relacionamento.

Ou seja, quando bem estruturado e cascateado em todos os níveis da organização, o planejamento estratégico permite que a companhia estabeleça diferenciais, vantagens competitivas e focos claros de atuação — elementos essenciais para orientar uma empresa em direção ao crescimento.

Veja, neste post, 12 dicas para um planejamento estratégico mais consistente para uma boa gestão de negócios.

A importância do planejamento estratégico

“A formulação, implantação e gestão do planejamento estratégico devem seguir alguns passos fundamentais que definirão o êxito da empreitada”, afirma o CEO da consultoria DOM Strategy Partners e especialista em estratégia corporativa, Daniel Domeneghetti.

Segundo ele, qualidade, dedicação e compreensão são alguns dos aspectos que vão compor os direcionamentos estratégicos essenciais para o negócio. Se esses fatores forem observados e implementados, os desafios inerentes ao processo podem ser mitigados e até mesmo evitados.

A gestão de negócios na prática

O começo

Uma das premissas centrais a ser respeitada na construção de um planejamento mais consistente se refere à objetividade na construção dos cenários estratégicos e a consequente avaliação de seus riscos e retornos reais e potenciais.

Os principais erros nessa etapa, que compreende a análise do contexto competitivo externo e das forças e fraquezas internas, incidem principalmente na superficialidade dos subsídios utilizados e na insuficiência ou falta de objetividade na análise das variáveis envolvidas.

A superficialidade no processo induz a delineação de cenários com baixas probabilidades de concretização, assim como à ignorância de outros potencialmente viáveis e interessantes. “Isso coloca em risco toda a eficácia e a correção do desdobramento da estratégia”, diz Domeneghetti.

O desenvolvimento

Para o consultor e especialista em gestão de negócios Rodrigo Morgan, o bom planejamento estratégico deve assegurar que todas as áreas relevantes da organização sejam envolvidas e que as fases principais do planejamento estratégico sejam contempladas, de maneira sistemática, para que o plano de ações seja consistente e efetivo.

“Inicie com o estabelecimento da missão, da visão e dos valores que, além de suportarem o posicionamento da organização, vão orientar os seus objetivos e direcionar a sua trajetória”, ensina Morgan.

Após isso, é recomendado efetuar uma análise criteriosa dos ambientes interno e externo para estabelecer os objetivos, as estratégias e as ações para alcançá-los. “A partir daí, resta o monitoramento dos resultados, que levará ao aprimoramento do planejamento e a correção de rota, se necessário”, explica o consultor.

O professor universitário André Carvalho faz coro. Segundo ele, é fundamental construir um plano de ação executável e com prazos bem definidos. Para cada etapa do plano de ação, monitore sua execução por meio de indicadores preestabelecidos.

O erro

Já o sócio head de estratégia da Tudo, agência do Grupo ABC, Cleber Paradela, alerta: “fazer planejamento estratégico não é cumprir uma receita de bolo”. Em geral, planejar é levar algo do ponto A para o ponto B. Para isso é preciso entender muito bem qual é o ponto A e por que você precisa sair dele.

Nessa hora, você deve identificar qual é o verdadeiro problema a ser resolvido e, depois, entender qual é o seu objetivo. “As ferramentas estão disponíveis para ajudarem a traçar essa rota, sejam elas um business plan tradicional ou post-its”, diz Paradela. “Mas é preciso tomar cuidado, porque as ferramentas são feitas para nos servirem, e não o contrário. Não vire escravo de metodologias nem de frameworks”.

Dicas para construir um bom planejamento estratégico

  • Contextualize o cenário competitivo atual e futuro (incluindo a indústria, setor, mercados de atuação e ecossistema de negócios);
  • elabore um plano de ação com objetividade e clareza na definição de indicadores relevantes e na avaliação de desempenhos e recompensas e/ou punições;
  • faça a escolha, a alocação, a legitimação e a instrumentalização das áreas/pessoas certas para as funções e metas focadas em cada período do ciclo estratégico;
  • defina a missão, a visão e os valores da companhia;
  • certifique-se de que as pessoas envolvidas estejam comprometidas com as datas e as reuniões. Evite interferências externas — como ligações, e-mails e conversas por aplicativos nos smartphones;
  • deixe os seus paradigmas em casa e estimule o brainstorm de ideias;
  • assegure-se de que cada ação elencada no plano tenha 1 — e não mais que 1 — colaborador responsável, com prazos claros;
  • estabeleça uma rotina sistemática e formal de avaliação e garanta foco nas reuniões;
  • garanta que o plano seja comunicado e cascateado a todos os níveis da organização para assegurar uniformidade no seu entendimento;
  • conte com a ajuda de um consultor externo especializado. Ele vai auxiliar, de forma imparcial, na construção do plano;
  • faça uma análise Fofa (Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças), ferramenta que ajuda a organização a identificar seus pontos fortes e fracos;
  • siga o princípio básico conhecido como Smart na hora de traçar as metas e objetivos da empresa: Specific (específico), Measurable (Mensurável), Attainable (Atingível), Relevant (Realista) e Time Bound (atrelado a prazo).

Benefícios do planejamento estratégico

  • Ajuda a empresa a elaborar e/ou revisar sua estratégia, tendo em vista o mercado, o seu posicionamento, as suas ambições, os seus diferenciais e as suas capacidades;
  • apresenta, com transparência, os objetivos, as metas e as ações aos stakeholders;
  • seleciona os key performance indicators (KPIs ou indicadores-chave de desempenho) que mais se adéquam aos objetivos estratégicos traçados;
  • define responsáveis para as metas estipuladas;
  • possibilita a implementação e a revisão em ciclos periódicos;
  • traz um modelo de avaliação de resultados/performance e um modelo de gestão;
  • reforça a cultura corporativa da empresa junto aos seus stakeholders.

Os prejuízos da falta de planejamento

“A falta de planejamento cega e desfoca”, constata Cleber Paradela. Segundo ele, esse tipo de atitude abre espaço para improvisos, decisões emocionais ou geração de esforço desnecessário em iniciativas que em nada contribuirão para os resultados.

Ainda de acordo com ele, é sempre bom ter claro que não existe planejamento bom feito por uma única cabeça — planejamento se trata de troca e de colaboração. Afinal, como poderia um publicitário fazer um planejamento de comunicação de uma marca de vodca sem ouvir a opinião do mixologista que passa as noites servindo drinques para os consumidores?

Todo mundo é um “mini-especialista” nos assuntos com os quais mais convive e de que mais gosta. “Encontre os seus ‘mini-especialistas’, e o seu planejamento será muito mais profundo e verdadeiro”, frisa Paradela.

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