Gestão estratégica — aprenda o que é para fazer na prática

Sabe aqueles pleonasmos que aprendemos na escola — subir para cima, descer para baixo, entre outros tantos exemplos? Não é incomum acharmos essas expressões engraçadas quando alguém as utiliza acidentalmente.

Porém, o mundo corporativo tem seus próprios pleonasmos, e nem sequer os percebemos no dia a dia. “Gestão estratégica” é um deles, e vamos agora falar por quê. 

O que é gestão estratégica

Falar em gestão estratégica é uma repetição da mesma ideia,  e por isso começamos o texto falando em pleonasmo. Espera-se que todo gestor sempre analise a situação e mobilize os recursos para atingir os resultados que a companhia deseja. Isso significa que não existe gestão de verdade que não seja estratégica

Mas como o termo se consagrou dessa forma no mundo empresarial, vamos utilizá-lo para designar o processo que coordena ações sistemáticas realizadas nas organizações com o objetivo de avaliar a situação, planejar mudanças e gerenciar sua implementação.

Por isso, podemos dizer que o processo de gestão estratégica utiliza três pilares:

  • planejamento estratégico: baseia-se no diagnóstico da instituição para promover ações com o objetivo de corrigir falhas, aproveitar melhor as oportunidades e fortalecer a organização a fim de superar obstáculos e alcançar resultados.
  • implantação do planejamento estratégico: essa é uma das principais dificuldades de uma organização. No papel, os planejamentos são muito bons. Porém, muitas companhias não conseguem colocá-los em prática;
  • monitoramento e ajustes necessários a partir dos resultados obtidos: trata-se de uma etapa tão importante quanto o planejamento. Nela, o plano anterior é avaliado e comparado com os resultados efetivamente obtidos. A partir daí, ocorrem correções e adaptação para que as diretrizes revisadas estabeleçam ações ainda mais efetivas para alcançar os objetivos.

Essas são formas bastante resumidas de descrever essas etapas. No entanto, para que elas sejam bem-sucedidas, é importante que o gestor tenha o conhecimento de algumas práticas que podem ajudar a realizá-las de forma eficiente. É desse tema que falaremos a partir de agora.

As melhores práticas para a gestão estratégica

1. Utilizar ferramentas adequadas

Sem os critérios adequados, algumas etapas do planejamento e gestão estratégicos podem adquirir um caráter muito subjetivo. Com o julgamento comprometido, é possível que fiquem de fora alguns apontamentos importantes, fazendo com que a empresa ignore pontos que deveria corrigir ou explorar.

Um exemplo é a etapa do diagnóstico. Com as ferramentas apropriadas, a equipe pode avaliar melhor suas necessidades e oportunidades. Vamos conhecer algumas?

1.1. Análise SWOT

Essa análise ou matriz permite a identificação das forças (Strengths), fraquezas (Weaknesses), oportunidades (Opportunities) e ameaças (Threats) que potencializam ou impedem o sucesso de uma organização. 

Seu papel é identificar os pontos que precisam de intervenção para melhoria (fraquezas e medidas para contornar as ameaças), bem como as oportunidades e diferenciais competitivos que devem ser mais bem explorados. 

1.2. Matriz BCG

Ela permite analisar o portfólio de produtos ou serviços e classificá-los de acordo com sua situação atual, estimativa de crescimento de vendas no mercado e nível de participação do produto.

Assim, a empresa consegue identificar se a previsão para aquele item é de expansão, estagnação ou queda, avaliar o impacto disso devido ao nível de participação na quota de mercado e direcionar seus esforços para as ações mais promissoras.

1.3. Canvas Business Model (CBM)

Nesse caso, não se trata de uma ferramenta para diagnóstico, e sim para o planejamento. O Canvas procura simplificar a criação de modelos de negócios, tornando-os facilmente compreensíveis pelos envolvidos.

O modelo reúne 9 aspectos que uma empresa deve considerar para se estruturar, proporcionando uma ferramenta que favorece a reflexão sobre a atuação do empreendimento e a integração desses blocos para o sucesso da organização.

2. Rever o planejamento estratégico da empresa

Por mais que o planejamento seja elaborado a partir de estatísticas confiáveis, nem sempre o desempenho da companhia ou o mercado se comportam da forma esperada. Essas alterações podem ser positivas ou negativas, mas o fato é que a empresa precisa se adaptar para lidar com a nova situação.

Por isso, o planejamento estratégico deve ser revisto com certa frequência. A revisão identificará esses fatores e buscará alternativas para solucionar problemas e potencializar resultados.

3. Acompanhar métricas e indicadores

Por melhor que tenha sido a base de dados utilizada para o planejamento, precisamos nos lembrar de que as ações propostas são ainda suposições. Ou seja, quando os gestores pensam em uma solução, apenas a prática vai revelar se elas são realmente efetivas para solucionar os problemas apresentados ou alcançar metas.

Portanto, para que a empresa tenha sucesso, é importante avaliar qual foi o resultado das ações implementadas. Essa análise não deve se basear em percepções subjetivas, mas em indicadores e métricas que transformam o andamento dos processos em números em vantagens reais.

Por isso, os gestores devem utilizar indicadores objetivos e confiáveis. Eles serão variáveis, de acordo com o segmento em que o negócio atua. São exemplos de métricas e indicadores que o gestor deve acompanhar:

  • métricas: metas de vendas, prospecções, taxas de conversão, ticket médio, quantidade de propostas feitas, negócios fechados, entre outros; 
  • indicadores de desempenho: números que mostram a produtividade, qualidade, capacidade, lucratividade etc. 

4. Alinhar a comunicação interna

Quando a comunicação da empresa não garante que os colaboradores realmente compreendam a estratégia da organização, as chances de que ocorram falhas na implementação de um planejamento se tornam muito maiores.

Portanto, se os processos forem descoordenados e difusos, não se pode esperar outro resultado a não ser o fracasso da implementação. A comunicação desempenha um papel importantíssimo na transformação de processos internos eficazes, garantindo que cada colaborador saiba o que e como fazer para cumprir a estratégia. 

5. Investir na governança corporativa

A governança corporativa pode ser definida como o conjunto de mecanismos utilizados para solucionar problemas comuns nas organizações que dificultam a implementação bem-sucedida de um planejamento estratégico.

Seu papel é atuar para solucionar conflitos de agentes, diferenças entre vieses cognitivos e limitações técnicas. Ou seja, quando ocorre uma implementação, diferentes interesses entram em jogo, e essas questões podem se tornar fatores impeditivos e comprometer o sucesso do projeto.

Cabe à governança corporativa resolver cada um desses pontos, seja administrando os conflitos, seja providenciando formas de superar as limitações técnicas e mediar as diferentes concepções. Assim, ela garante a atuação de um conjunto unido em prol de um propósito: o cumprimento da estratégia da empresa.

Entendeu como essas práticas podem contribuir para a gestão estratégica de um negócio? Quer descobrir como superar os 4 maiores desafios enfrentados pelos gestores contemporâneos? Então continue em nosso blog e confira esse post imperdível.

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